Abuso Infantil

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Aprenda a reconhecer os sinais que a criança dá

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 70% das vítimas de estupro do país são menores de idade.

Entre 2011 e 2017, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) através do Disque 100, canal oficial de denúncias, registrou 203.275 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Ainda de acordo com o Disque 100, entre 2011 e 2017, em 92% das denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes as vítimas eram do sexo feminino. Essa estatística é similar à divulgada pelo Ministério da Saúde: no mesmo período, o órgão registrou 85% das denúncias de violência sexual contra meninas.

10 Sinais de alerta do abusado:

1. Comportamentos infantis repentinos

Uma criança vítima de violência, abuso ou exploração apresenta alterações de hábito repentinas, tais como: sono, falta de concentração, aparência descuidada.

2. Comportamentos sexuais

Crianças que apresentam um interesse por questões sexuais ou que façam brincadeiras de cunho sexual e usam palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas, podem estar indicando uma situação de abuso.

3. Enfermidades psicossomáticas

Unidas aos traumas físicos, enfermidades psicossomáticas também podem ser sinais de abuso. São problemas de saúde, sem aparente causa clínica, como dor de cabeça, erupções na pele, vômitos e dificuldades digestivas, que na realidade têm fundo psicológico e emocional.

4. Frequência escolar

Observar queda injustificada na frequência escolar ou baixo rendimento causado por dificuldade de concentração e aprendizagem. Outro ponto a estar atento é a pouca participação em atividades escolares e a tendência de isolamento social.

5. Mudanças de comportamento

Esse é um dos principais sinais, pois uma possível mudança no padrão de comportamento da criança, como alterações de humor entre retraimento e extroversão, agressividade repentina, vergonha excessiva, medo ou pânico.

6. Mudanças de hábito súbitas

A criança e o adolescente sempre avisam, mas na maioria das vezes não de forma verbal.

7. Proximidades excessivas

Para manter a vítima em silêncio, o abusador costuma fazer ameaças de violência física e mental, além de chantagens. É normal também que usem presentes, dinheiro ou outro tipo de bem material para construir uma boa relação com a vítima.

8. Silêncio predominante

A violência costuma ser praticada por pessoas da família ou próximas da família na maioria dos casos. O abusador muitas vezes manipula emocionalmente a criança, que não percebe estar sendo vítima e, com isso, costuma ganhar a confiança fazendo com que ela se cale.

9. Traumatismos físicos

Os vestígios mais óbvios de violência sexual em menores de idade são questões físicas como marcas de agressão, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.

10. Regressão

Outro indicativo decorrente são os comportamentos infantis, que a criança já tinha abandonado, mas volta a apresentar de repente. Coisas simples como fazer xixi na cama ou voltar a chupar o dedo. Ou ainda, começar a chorar sem motivo aparente.

Consequências do abuso sexual infantil

Cerca de 60 a 80% das vítimas de violência sexual apresentam algum distúrbio em curto prazo nos dois primeiros anos após o abuso. Entre esses efeitos encontram-se alterações nas esferas física, psicológica e social.

Em longo prazo verifica-se: fobias, pânico, personalidade antissocial, depressão com ideias de suicídio, tentativa suicídio, isolamento, ansiedade, dificuldades alimentares, tensão, dificuldades de relacionamento com pessoas do sexo do agressor.

Segundo o psicólogo forense e professor da Faculdade Inspirar das disciplinas de Perfil Criminal e Psicologia Investigativa – Leonardo Ferreira Faria – as consequências do abuso sexual para a criança podem envolver aspectos físicos, psicológicos, sexuais e sociais, sendo que seus efeitos físicos e psicológicos podem gerar consequências que afetarão a vida da criança em idade adulta no que tange ao desenvolvimento de sintomas psicopatológicos, caso não tenha o suporte esperado por parte da família e de uma equipe de saúde mental.

Os fatores que influenciam o dano psicológico ou a gravidade do abuso sexual variam de acordo com a idade da criança no início do abuso, duração do abuso (evidências sugerem que quanto maior a frequência e a temporalidade maior o dano à criança), o grau de violência (o uso de força pelo abusador gera maior dano à criança), a diferença de idade entre a pessoa que cometeu o abuso e a vítima (quanto maior a diferença, maior o dano), a importância da relação entre abusador e vítima (quanto maior a proximidade e intimidade, piores as consequências, ou seja, casos incestuosos tendem a ser mais graves).

Perfil do abusador infantil

Veja algumas das características de personalidade de pessoas que cometem esse crime:

· Abusa de drogas e/ou álcool;

· Acredita que o contato sexual é uma forma de amor;

· Acusa a criança de promiscuidade;

· É muito possessivo;

· Mente apontando outros agressores;

· São pessoas aparentemente normais;

· Teme ser descoberto e castigado, mas não sente culpa;

· Usa de manipulação ou força física para subjugar a criança.

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