Mercado de Trabalho na Fisioterapia do Trabalho Diferencial Competitivo, Valores Salariais e Plano de Carreira

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Por:

Lucy Mara Baú*

Quando escolhemos o curso de fisioterapia para o vestibular, muitas vezes ainda estamos confusos se é o que realmente queremos seguir de carreira profissional.

Com o passar dos dias, meses e anos na faculdade e vivências práticas em estágios, surge uma “dúvida”, ou eu até diria “angústia”: o que eu quero fazer dentro de todas as opções nesta graduação?

A formação básica da fisioterapia nos leva geralmente à atuação assistencialista, trabalhando em clínicas ou hospitais em tratamentos de doenças várias. Porém, vem outra pergunta: quero trabalhar com as conseqüências ou ir às causas do processo de adoecimento?

A resposta para essa pergunta pode ser visionária e proativa: quero trabalhar com a prevenção, evitando a doença.

Dentro de uma gama de opções para atuação na prevenção, o que mais nos chama a atenção é a saúde ocupacional. Aqui é onde está a maioria da população. E onde evitar o adoecimento do trabalhador não só é uma grande missão na qualidade de vida, na preservação de uma sociedade melhor, como garantir às empresas ter um indivíduo saudável e produtivo, levando a grande missão desta especialidade dentro da Fisioterapia: a Fisioterapia do Trabalho.

Mas aí vem outra preocupação: esta profissão me garante uma boa subsistência financeira, além da realização profissional? Para isso, vamos ao mercado de trabalho. Este profissional tem várias opções de atuação dentro desta especialidade:

1) Ser empregado CLT dentro de uma empresa atuando na equipe de saúde ocupacional ou no processo produtivo ou como coordenador de SMS (Segurança do Trabalho, Meio Ambiente e Saúde) ou Gestor de QSMS (Gestão Integrada em Qualidade, Segurança do Trabalho, Meio Ambiente e Saúde) ou gerente de HSE (Health and Safety Environment) ou gerente de saúde;

2) Ser um autônomo atuando em consultorias e prestações de serviços;

3) Ser empreendedor, montando sua empresa de prestação de serviços em saúde ocupacional, segurança do trabalho e ergonomia;

4) Atuar como perito judicial ou assistente técnico em casos de doenças do trabalho;

5) Seguir carreira de servidor público, através de concursos vários;

6) Ou através de formação e experiência, atuar na área acadêmica pública ou privada.

Mas como se destacar dentro de um diferencial competitivo?

Primeiro, buscando a capacitação da especialidade (curso de pós-graduação em fisioterapia do trabalho), depois fazer a prova de certificação junto a ABRAFIT/COFFITO, pois é uma especialidade reconhecida pelo nosso Conselho Federal, o COFFITO em 13/06/2008 (Resolução 351/08), e pelo Ministério do Trabalho em 13/08/2008, através da CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), com descrição de especialidade e código de contrato de trabalho n. 2236-60 (Fisioterapeuta do Trabalho).

A partir destes diferenciais, vem a experiência na prática, que nos leva a negociações melhores de contratos de trabalho, não esquecendo que temos uma legislação federal de carga horária máxima de 30 horas semanais de trabalho (Lei 8856/94). E que o piso salarial mínimo de graduado é negociado pelas convenções coletivas de trabalho e são

regionais (por estado), não se esquecendo de verificar qual é o piso no seu estado. Não deve nenhum profissional aceitar menos que sua classe tem definida por Lei.

Mas estes pisos salariais são para generalistas (graduação apenas), e nós os especialistas?

Em relação ao especialista Fisioterapeuta do Trabalho, sabemos por prática empresarial que médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho, etc, são especialistas que atuam em empresas na prevenção e promoção da saúde e que seus salários são maiores que os pisos salariais generalistas. Então, parece óbvio que questionemos ofertas de empresas com apenas pisos generalistas, quando já somos especialistas. Este diferencial de especialidade tem que ser valorizado e somos nós quem fazemos a diferença nas negociações, não aceitando aviltamento à nossa profissão.

Pesquisando o mercado de trabalho em julho de 2019, fiz um levantamento das ofertas de trabalho para o Fisioterapeuta do Trabalho, em empresas especialistas em contratar e através de entrevistas à empresas de médio e grande porte no Brasil, que têm em sua grade de empregados este especialista, chegando a quadro abaixo:

1) Curitiba/PR

Profissionais no cargo de Fisioterapeuta Geral trabalhando tem uma média salarial de R$ 2.571,52 para uma jornada de trabalho de 29 horas semanais de acordo com informações oficiais do CAGED e cálculos do salario.com.br no período de 10/2018 até 05/2019 com uma amostragem de 201 salários.

2) São Paulo/SP:

Profissionais no cargo de Fisioterapeuta Geral trabalhando tem uma média salarial de R$ 3.244,13 para uma jornada de trabalho de 30 horas semanais de acordo com informações oficiais do CAGED e cálculos do salario.com.br no período de 11/2018 até 06/2019 com uma amostragem de 1.586 salários.

3) Porto Alegre/RS:

Profissionais no cargo de Fisioterapeuta Geral trabalhando tem uma média salarial de R$ 2.507,85 para uma jornada de trabalho de 30 horas semanais de acordo com informações oficiais do CAGED e cálculos do salario.com.br no período de 11/2018 até 06/2019 com uma amostragem de 258 salários.

4) Rio de Janeiro/RJ:

Profissionais no cargo de Fisioterapeuta Geral trabalhando tem uma média salarial de R$ 3.150,82 para uma jornada de trabalho de 31 horas semanais de acordo com informações oficiais do CAGED e cálculos do salario.com.br no período de 11/2018 até 06/2019 com uma amostragem de 712 salários.

5) Belo Horizonte/MG:

Profissionais no cargo de Fisioterapeuta Geral trabalhando tem uma média salarial de R$ 2.464,37 para uma jornada de trabalho de 31 horas semanais de acordo com informações oficiais do CAGED e cálculos do salario.com.br no período de 11/2018 até 06/2019 com uma amostragem de 253 salários.

6) Fortaleza/CE:

Profissionais no cargo de Fisioterapeuta Geral trabalhando tem uma média salarial de R$ 2.479,07 para uma jornada de trabalho de 31 horas semanais de acordo com informações oficiais do CAGED e cálculos do Salario.com.br no período de 11/2018 até 06/2019 com uma amostragem de 130 salários. Piso salarial generalista em demais estados através das negociações dos Sinfitos Regionais (Sindicatos dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais).

E para Fisioterapeuta do Trabalho:

7) CATHO (empresa de contratação): Inicial de R$2.895,00 a R$3667,00.

8) Manager (empresa de contratação): Inicial de R$3.000,00 a R$4.000,00.

9) Empresas de médio porte consultadas: R$ 2.890,00 a R$ 6.480,00 inicial (dependendo das atividades contratadas).

10) Empresas de grande porte consultadas: R$3.200,00 a R$ 25.000,00 inicial (dependendo das atividades contratadas).

11) Empreendedores em Fisioterapia do Trabalho: varia de acordo com seu projeto e equipe, podendo ser modesto ou ousado (existe um referencial Nacional de Honorários Fisioterapêuticos específico da Fisioterapia do Trabalho, disponível no site do COFFITO, utilize aos menos ele: https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2353).

Obs: Os nomes das empresas consultadas não serão divulgados a pedido das mesmas.

Você pode seguir a carreira de Fisioterapeuta do Trabalho com:

a) atuação em ambulatório dentro da empresa (objetivo de atender queixas, porém buscando as causas e atuando nelas com foco a minimizar ou eliminar os fatores de causas de doenças ocupacionais);

b) realizar análises ergonômicas do trabalho, com desenvolvimento de relatórios e pareceres técnicos;

c) sugerir e participar de implementações ergonômicas nas empresas;

d) capacitar e coordenar comitês de ergonomia que tem objetivo de implementar a cultura prevencionista nas empresas;

e) participar de programas de qualidade de vida e ações de prevenção e promoção de educação em saúde e segurança no trabalho;

f) participar de equipe multi e interdisciplinar em saúde ocupacional;

g) participar de projetos em relação aos leiautes de acessibilidade, bancadas de trabalho, mobiliário, processo produtivo que envolva a organização do trabalho, modo operatório e descrição de tarefas e atividades;

h) realizar através de exames cinéticos funcionais o processo pré admissional, exames periódicos (PCMSO), de reintegração ao trabalho ou demissional;

i) realizar exame cinético funcional ergonômico de PCDs e sua integração ao trabalho;

j) auxiliar a empresa em passivos trabalhistas relacionados a LER/DORT;

k) Coordenar equipes, gerenciar setores de saúde e segurança do trabalho.

Indo até consultor jurídico de empresas em questões relacionadas com LER/DORT, ou gestor de SMS ou QSMS ou HSE, dentre outras oportunidades que esta importante profissão nos proporciona.

Atuo desde 1996 nesta especialidade, quando ainda não havia a normatização e posso dizer que tudo que conquistei na minha vida profissional devo à minha atuação na prevenção e promoção da saúde do trabalhador: Gratidão à Fisioterapia do Trabalho!

Seja bem-vindo à Fisioterapia do Trabalho!

Lucy Mara Baú é Fisioterapeuta do Trabalho e coordenadora de pós-graduação na Faculdade Inspirar.

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